Posts filed under ‘Contos’

A Pior viagem de Ônibus – vulgo busão – da história

Estava lendo uns blogs legais por aí, e parei no blog do Rafael, o Aletômetro, onde vi um post bem interessante no qual ele se questionava sobre alguns fatores relevantes à grande arte de “andar de ônibus”. Então, juntando todas essas coisas e mais algumas que guardei com rancor e amargura por muitos anos no que diz respeito a ser pobre e andar de ônibus diariamente, saiu esse pequeno conto. Vamos lá.

-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=–=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-

lotadoLá estava eu em mais um dia, uma segunda-feira para ser mais precisa. Tempo nublado, ponto de ônibus lotado. E uma leve chuva molhava o asfalto, dando uma previsão nada satisfatória do que seria o fim daquele dia. Sim, porque estávamos exatamente às 18:47, e desde as 18:20 eu estava lá esperando o meu ônibus como de costume. Cansada, acabada, depois de um longo dia em cima de um salto insuportável, tendo que atender sorridente pessoas mais insuportáveis ainda.

Eis que vejo ao longe, como a própria arca de noé para salvar os animaizinhos do naufrágio, o meu tão esperado circular 5100 da transnacional. Seu letreiro luminoso brilhava mais do que nunca, e eu podia ver, ou melhor, não podia ver por dentro do ônibus, pois a massa humana ali dentro era tamanha que não havia espaço para a luz passar.

Logo, meu cérebro começa a se armar para mais uma batalha, as táticas de guerrilha começam a se formar, começo a observar atentamente tudo a meu redor, os inimigos estão próximos e são muitos. Uma manada de animais enlouquecidos para tomar o último pingo de água do deserto – ou melhor – o último lugarzinho disponível lá no fundão do ônibus.

Começo a analisar os movimentos dos inimigos, pra ver quem vai nesse ônibus. Vejo que muitos começam a pegar suas sacolas, então é hora de correr e me posicionar num lugar estratégico, para entrar primeiro. O vale transporte tá na mão, mas provavelmente nem vai dar pra passar na roleta logo de cara. Ainda bem (!) que eu desço lá no ponto final.

A chuva deu uma aliviada, ainda bem. Consegui um bom lugar na fila, já estou subindo, à primeira vista parece que nem vai dar pra todo mundo entrar, mas sabe como é ônibus circular, sempre cabe mais um.

Consegui um ótimo lugar (em pé, é claro) perto da roleta, e depois que o fluxo foi caminhando, consegui passar e ir pra parte da frente do ônibus. Já é uma vitória. Mas não pára de subir gente. A cada parada, sobe mais, e eu estava temendo pelo pior, mas logo vi que estava para acontecer. Começou a chover, e todo mundo fechou as janelas. Nenhuma frestazinha de ar puro. Aquele abafado dos infernos, e eu estava lá, sólida como uma rocha no meu salto, até porque se eu tirasse o pé do lugar não ia mais encontrar aquele espacinho pra estacionar meu pé.

Eis que o pior dos piores acontece: Lá vem aquela gorda, gigante, cheia de sacolas do carrefour, o bigode preto suado, suvacos por fazer à mostra, passando por todo mundo e pedindo licença como se uma simples “licença” fosse suficiente para fazer passar aquele volume dentre um mundaréu de sardinhas enlatadas. Era praticamente um estupro, ela ia passando e não parava, estava chegando perto de mim, e eu já estava apavorada tentando ver por onde escapar. Até que uma alma caridosa deu um chega prá lá na gorda – “Ô minha senhora, não tá vendo que não dá pra passar não? Olha o teu tamanho!”

A gorda parou e olhou com cara feia pro corajoso, e estacionou por ali mesmo onde estava, a mais ou menos 1 metro de mim. Em seguida, tive uma grande sorte, um lugar vagou bem onde estava, e eu corri pra sentar. Era uma cadeira do corredor, mas era uma cadeira. Entretanto, minha sorte acabou rapidinho, quando a gorda veio ficar bem no lugar que eu tava, aquele monstro colado em mim, as sacolas pendendo por todos os lados, batendo na minha cabeça. Pro bem de todos eu pedi pra segurar as sacolas da mulher, não sei se foi melhor ou pior, fiquei soterrada embaixo de um monte de feijão arroz e batatas empacotados. E rezando pra que ela descesse logo.

O suplício parecia não ter fim, pensei que ia passar mal com aquele abafado, catinga de suvaqueira pra todo lado, gente suada e molhada da chuva, fica aquele cheiro de chulé, coisa terrível. Até que enfim parou a chuva e começaram a abrir as janelas, o ônibus já não parava mais porque estava tão cheio que até o motorista teve pena e não pegou mais passageiros. Daí pra frente as coisas foram melhorando, o povo começou a descer, e depois de apenas 50 minutinhos de viagem consegui chegar sã(talvez) e salva em casa.

E no outro dia não fui trabalhar alegando crise de stress.

** calma, calma, não aconteceu tudo isso assim de verdade. mas bem que poderia ter acontecido.

julho 26, 2007 at 6:36 pm 8 comentários


Novo Endereço!!

Este blog não está sendo mais atualizado aqui, pois estamos em um novo endereço!!!! O Blog semfrescura agora é RIALTO =D
Por favor, visite nossa casa nova em:
http://semfrescura.net/rialto

twitter #rialto

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.